Saudade das disciplinas

From Opus Dei info

Hoje senti falta das disciplinas!! Tô falando sério... e vou tentar me explicar...

No OD, somos reféns da culpa, incutida eficientemente pelos meios de formação. Somos massacrados de tal forma que tendemos a desenvolver uma certa "síndrome da culpa".

Alguns poderiam objetar que a culpa é própria do Cristianismo, devido à nossa condição de pecador. Por essa visão, o OD nada mais faria do que transmitir a doutrina cristã.

Não.

No OD, a culpa - aliada à aniquilação da auto-estima - é exarcebada e nos leva a sentir-nos culpados sempre e por tudo... somos o "sr. merda"...

Acho que me entenderá melhor aquele que, tendo vivido bom tempo no OD, após sua saída, passa a ter sua vida de católico "normal" - o que nao quer dizer católico "medíocre".

Pois bem. O OD - diferentemente da Igreja - pela culpa nos torna reféns e temerosos.

Os que já saíram do OD, devem se lembrar da pressão e estratégia psicológica sofrida na "época de negociação" da saída... quase sempre, saem com a sensação de serem traidores, amaldiçoados... e qualquer pequena desgraça ou contrariedade que aconteça a si ou a seus próximos, o ex-numerário - ainda não libertado dessa culpabilidade - atribuirá esse mal como fruto de sua traição.

Esse foi meu caso. Por exemplo, logo depois de sair do OD, comprei um carro; poucos meses após, sofri um acidente e capotamento que deu perda total no automóvel...

E não é que um cara do OD - quando nos encontramos e lhe contei o ocorrido - disse que o acidente poderia ser considerado conseqüência da minha traição à obra... quase não teve jeito de afastar esse pensamento e passei umas boas semanas até me convencer da verdadeira causa do acidente: pura e simples barbeiragem e imprudência... hehehe

Sorte minha foi saber que o JGCR - conhecido por ser "destemido" - capotara o carro do GDCP, voltando de uma excursão, num curso anual na aroeira... que traição teria o JGCR feito ao OD?? ora, um tempo depois, ele foi promovido na Obra... muito culpado não devia ser não... hehe...

Foi um raciocínio infatil, mas resolveu parte do meu problema...

O OD exarceba a culpa em nós e, ao mesmo tempo, nos oferece paliativos expiatórios... e penso que é aí onde entram em jogo as mortificações corporais: válvulas de escape pela qual "pagamos o preço" da nossa culpa.

Distribui veneno para depois vender o antídoto.

Quanto mais culpado me considerava, mais fortes e demoradas eram minhas sessões de disciplina; mais apertados os cilícios; menos fartas as refeições...

Como me sentia bem depois de umas boas chibatadas no lombo: lavava a alma, deixava-me mais leve. Tenho personalidade histérica? Não sei, mas que me sentia melhor, disso não tenho dúvidas...

Quando saí da Obra, deixei as disciplinas e o cilício... mas não a culpa que me inocularam no fundo da alma!!

Mas por que - e para quê - tanta culpa??

PP

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