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Sobre as FAQ

Estas FAQ se encontram em constante atualização. Qualquer pessoa pode deixar sua contribuição sugerindo perguntas, respostas, correções, links, adendos, etc. Atualmente as FAQ são mantidas pelo "R." Para dúvidas relativas às FAQ, favor comunicar diretamente ao "R." (r.de.opuslibros@gmail.com), de forma a poupar trabalho aos “Orelhas”.

Nosso obrigado ao emevé pela ajuda com a ortografia.

Abreviações:

As seguintes abreviaturas são empregadas:

Opus Dei
para referir-nos à Prelazia da Santa Cruz e Opus Dei (anteriormentechamada Instituto Secular)
Opuslibros
para referir-nos a esta página da Internet;
“Orelhas”
para referir-nos aos responsáveis pelo site do Opuslibros;
Igreja
para referir-nos à Igreja Católica Apostólica Romana de Rito Latino.

Perguntas Freqüentes e Respostas

Encontrei o Opuslibros na Internet e me espantei com a quantidade de mentiras que de forma tão desavergonhada são ditas a respeito de uma organização aprovada pela Igreja e cujo fundador foi canonizado.

"Vocês causam muito dano a Deus e à Igreja, e terão de prestar-Lhe contas por esta atuação covarde, pois vocês nem sequer assinam com seus próprios nomes as calúnias que escrevem. São uns ressentidos, movidos pelo rancor, que não puderam corresponder às exigências de santidade da vida no Opus Dei, e que agora tentam justificar sua incapacidade atacando esta instituição que tanto bem faz por Deus e pela Igreja", etc.

Por favor, se acalme e leia estas FAQ. Pedimos encarecidamente que você não desperdice o seu tempo (e nem o nosso) para dizer-nos uma vez mais o que outros "impacientes" já nos disseram com palavras mais ou menos parecidas. Não escreva afirmando genericamente que o que se lê no site Opuslibros é "tudo mentira". Se de fato o que preocupa você é buscar a verdade, aponte concretamente o que parece ser mentira e apresente seus argumentos a respeito. Você receberá respostas igualmente educadas dos participantes do Opuslibros, que expressarão suas respectivas opiniões, as quais podem coincidir em maior ou menor grau com as suas. Se, no entanto sua preocupação principal não é buscar a verdade sobre o assunto, mas sim preservar a imagem pública do Opus Dei, então não perca o seu tempo com o Opuslibros. Existem várias páginas na Internet cuja principal motivação é a de criar uma boa imagem do Opus Dei, ainda que essa imagem não corresponda à realidade. O OpusLibros não é uma dessas páginas.

Se o que você deseja é somente descontar sua raiva do que foi lido, para nos dizer por e-mail "umas poucas e boas verdades", anote suas opiniões para que você possa se acalmar, mas envie-o a outro destinatário.

Quanto ao juízo de que os participantes do Opuslibros são rancorosos, frustrados, etc, lembre-se de que fazer um juízo tão generalizado a respeito de tantas pessoas diferentes e desconhecidas é, no mínimo, temerário.

Quanto ao restante das indagações, haverá respostas com a leitura destas FAQs.

O que é o OpusLibros?

O OpusLibros é um site sobre o Opus Dei que serve de ponto de encontro de pessoas que foram afetadas por práticas abusivas da organização.

O que é o Opus Dei?

O Opus Dei é uma instituição da Igreja fundada na Espanha no ano de 1928. Desde 28 de novembro de 1982 possui status canônico de Prelazia Pessoal de âmbito internacional com estatutos próprios.

O OpusLibros é uma página oficial do Opus Dei ou uma página oficialmente reconhecida pelo Opus Dei?

Não. O OpusLibros é uma página independente do Opus Dei e a organização a ignora oficialmente.

Por que fazer na Internet uma página a mais sobre o Opus Dei se a instituição já tem seu próprio site oficial, de onde se pode obter toda a informação que se queira sobre ela?

Porque a informação que o Opus Dei dá se si mesmo é distorcida e oferece uma falsa ideia de como é a organização verdadeiramente. Essa falsa imagem atrai muita gente, que se põe em órbita da organização e acaba por sofrer consequências negativas de suas práticas.

Então o OpusLibros não é uma página sobre o Opus Dei, mas sim uma página contra o Opus Dei.

Não. O OpusLibros não se posiciona contra o Opus Dei. O textos que são publicados no OpusLibros não são necessariamente críticos a respeito do Opus Dei, e nem há o porquê de sê-lo.O OpusLibros procura ser um espaço onde pessoas que tiveram contato com o Opus Dei possam registrar livremente sua experiência com a organização. Na maioria das vezes, essa experiência é uma mistura de aspectos positivos e negativos.

Mas basta dar uma olhada superficial no que é publicado para constatar que a maioria dos textos se posiciona de forma muito crítica a respeito da organização. Não seria eufemismo dizer que o Opus Libros é uma página "sobre" o Opus Dei e não "contra" o Opus Dei?

Não, porque não partimos de uma posição preconcebida a respeito do Opus Dei. Não publicamos ou deixamos de publicar algo por se adequar ou não a uma determinada visão do Opus Dei. Quem faz isso são os sites oficiais e sites simpatizantes do Opus Dei, onde não há espaço para críticas ou para livre expressão.

Por outro lado, de fato é verdade que no OpusLibros predomina uma visão crítica da instituição. No entanto, é importante estar ciente, para compreender de onde provém o conteúdo do OpusLibros, de que essa predominância não é resultado de uma política editorial seletiva, mas sim de um fenômeno de aglomeração espontâneo.

Então vocês publicam qualquer texto que for enviado, seja ele contra, neutro ou a favor do Opus Dei?

Sim. As únicas restrições para a publicação de textos que recebemos são:

  • Que sejam relevantes ao tema desta página e demonstrem verossimilhança no sentido de basear-se em experiências reais.
  • Não publicamos nada proveniente de anônimos, e conservamos todos os originais e endereços de remetente de todos os textos que recebemos e publicamos.
  • Não publicamos tampouco correspondências que não observem princípios básicos de educação, sejam elas a favor ou contra o Opus Dei.

Como assim "não publicamos nada proveniente de anônimos", já que quase nenhum dos autores de artigos do OpusLibros assina com o seu próprio nome?

Existe uma diferença entre anônimo e privado. Muitos dos que escrevem preferem preservar sua privacidade assinando com um pseudônimo (ou apelido). Isso não faz do autor um personagem fictício, nem lhe tira a credibilidade pelo que escreve, ao contrário do que ocorre quando alguém escreve anonimamente. A vivência ou reflexão relatada por Fulano(a), por exemplo, não perde o seu valor se em vez de "Fulano(a)", ele(a) assina como "João" ou "Maria".

Respeitamos a privacidade se se pede que sua identidade não seja revelada publicamente, mas não publicamos nada que se possa conceber como sendo delito ou que vá contra a lei. Isso se aplica tanto às publicações assinadas com o nome real ou quanto às assinadas com um pseudônimo.

Por fim, há também muitas pessoas que não se importam de serem identificadas publicamente, e que assinam seus textos com seus nomes reais.

No entanto, não é covardia escrever coisas como as que vocês têm publicadas aqui, que implicam acusações bastante graves, escondendo-se por trás de um pseudônimo? Como é que se pode assumir responsabilidade sobre o que é publicado desta maneira? Como é possível alguém acreditar no que se relata, quando muitas vezes parece tão inverossímil?

O que está narrado por meio de testemunhos e de experiências é o que foi vivido. Entre os textos há também reflexões, estudos, pesquisas, etc. Se são acusações graves - a que concorrem muitos ex-membros do Opus Dei -, cabe à Sagrada Congregação dos Bispos (de quem depende a Prelazia do Opus Dei, segundo o Código de Direito Canônico) preocupar-se em investigar a verdade, quando a bem da averiguação poderá pedir informações a ex-membros por intermédio do Opuslibros. A Igreja tem se preocupado muito pouco sobre o testemunho daqueles que estivemos dentro, sempre favorecendo a voz oficial do Opus Dei em detrimento da dos que foram membros algum dia. Já está na hora de ela se sensibilizar e imaginar que tantas pessoas juntas não podem estar enganadas.

Pela natureza do que se relata, é relativamente fácil, para pessoas que conhecem o autor, reconhecê-lo pelo texto que escreve. Dessa forma, mais uma vez não se trata de anonimato, pois os autores são identificáveis pelas pessoas que os conhecem, entre elas o próprio Opus Dei.

Por fim, se você tem a intenção de entrar em contato com o autor de algum artigo, o Opuslibros tem como princípio facilitar esse contato (deixando sempre ao autor a decisão de revelar ou não sua identidade). Na quase totalidade dos casos, o autor se põe em contato com o solicitante e, portanto, se identifica.

Quem são os responsáveis pelo Opuslibros?

Os responsáveis pelo Opuslibros são os Orejas ("Orelhas").

Quem são os “Orelhas”?

Os Orelhas somos pessoas que, após ter vivido a experiência de estar no Opus Dei, estamos dispostos a ajudar a outros através do Opuslibros. Eles estão espalhados por todo o mundo. Alguns escrevem publicamente aqui no site, outros prestam sua ajuda através do contato por correio privado.

Além disso, não se compreende corretamente o Opuslibros pensando que ele é só "coisa dos Orelhas". O que importa no Opuslibros é, em última instância, o resultado de uma interação não-coordenada de uma comunidade de pessoas que não possuem um ponto de vista comum a respeito do Opus Dei.

Por que se auto-denominam "Orelhas" os responsáveis pelo Opuslibros?

O nome surgiu com base numa citação de Milan Kundera [Milan Kundera: escritor nascido em 1929 na então Tchecoslováquia. Exilouse na França em 1975, naturalizando-se francês em 1981.] que diz mais ou menos assim: "as pessoas, gastamos muito tempo de nossas vidas procurando uma orelha alheia que nos escute"

Nós que nos libertamos do Opus Dei temos vivido a sós nossa experiência traumática. Fomos condicionados psicologicamente a considerar-nos "infiéis", "maus", "egoístas", "outros Judas"; e a pensar que seremos "desgraçados nesta vida e condenados na outra", etc. Condicionaram-nos a não falarmos mal da organização, pois criticá-la, mesmo estando fora dela, seria "traição", etc.

Quando descobrimos que outros viveram a mesma experiência, sentimos necessidade de falar dela para compreender o que foi que ocorreu, para nos compreender e compreender a instituição em sua justa realidade (não como ela nos foi vendida, mas sim como fomos descobrindo como ela realmente é). Porque quem melhor pode nos entender é outra pessoa que passou pela mesma situação. Por isso, colocamos nossa "orelha" à disposição de quem queira desabafar.

Como foi que nasceu o Opuslibros?

O Opuslibros nasceu com o propósito de tornar disponível, através da Internet, o texto de livros sobre o Opus Dei que não seguem a linha oficial e que estão esgotados ou foram retirados de circulação na Espanha, em muitas ocasiões graças à rede de influência da organização.

Em pouco tempo, pessoas de diversas partes do mundo começaram a contatar os Orelhas, manifestando seu apoio e enviando testemunhos de sua relação com o Opus Dei, desejando vê-los publicados. Assim surgiu a seção "Correspondência". Daí em diante dentro de pouco tempo foi se reunindo em torno do Opuslibros uma grande quantidade de pessoas cujas vidas cruzaram de uma maneira ou de outra com o Opus Dei, e que tinham em comum o desejo de trocar impressões, vivências e interpretações de sua relação com a organização.

Qual é então o objetivo do Opuslibros?

Os testemunhos são unânimes daqueles que passaram pelo Opus Dei, especialmente na condição de membro numerário ou adscrito da organização: a passagem deixa uma marca muito forte e difícil de superar por causa da práxis do Opus Dei. Em pouco tempo ficou claro que a comunidade que se formou em torno do Opuslibros ajuda muitas pessoas a se integrarem e a superar sua experiência com o Opus Dei, muito especialmente nos (frequentes) casos em que essa experiência foi traumática. De forma que, hoje, os Orelhas entendem que os objetivos do Opuslibros podem se resumir a:

  • Disponibilizar na Internet informação confiável sobre o Opus Dei, à qual poucos têm acesso;
  • Ser um ponto de encontro e apoio para as pessoas que foram prejudicadas pelas práticas do Opus Dei;
  • Informar melhor as pessoas que não têm acesso a outra informação sobre o Opus Dei a não ser aquela que a organização dá de si mesma;
  • Reunir e publicar testemunhos das práticas do Opus Dei como base documental para a ação das autoridades (civis e eclesiásticas), a quem incumbe investigar e tomar medidas a respeito;
  • Colocar em contato pessoas que passam por dificuldades (inclusive financeiras) com pessoas que possam prestar ajuda.

O Opus Dei é uma instituição da Igreja. Vocês não estão, portanto, atacando a Igreja no Opuslibros?

Não. Criticar uma instituição da Igreja não é o mesmo que criticar a própria Igreja. O Opus Dei não é a Igreja, é uma organização dentro da Igreja. Do ponto de vista do fiel católico, cabe crítica a uma instituição da Igreja na medida em que a instituição não atue de maneira solidária e orgânica à Igreja, e na medida em que não cumpra sua finalidade no todo orgânico que é a Igreja. Ainda mais se sua atuação causa danos à Igreja ou emprega práticas incompatíveis com o Magistério da Igreja.

O câncer também é parte do todo orgânico que é o corpo. No entanto, trata-se de um órgão que "enlouqueceu" e que não mais atua solidário ao organismo, mas sim por conta própria e para si mesmo. Quando isso ocorre, atacar o câncer (que é reconhecido pelo organismo como parte dele) é uma tentativa de curar o organismo. A história milenar da Igreja conhece exemplos de instituições ou grupos que se perverteram até o ponto de identificar-se como "A Igreja" em si e, consequentemente, de tacharem tudo aquilo que não se identificava com eles como sendo alheio à Igreja.

Para um católico, a canonização do fundador do Opus Dei não é uma garantia da própria Igreja de que o Opus Dei é uma organização santa?

Não. Para um católico, a canonização do fundador do Opus Dei é uma garantia por parte da Igreja de que o fundador do Opus Dei se encontra entre os bem-aventurados - de que "está no céu", como se diz corriqueiramente. A canonização de uma pessoa não implica em um aval da Igreja à atuação, às ideias ou às obras do canonizado.

Para um católico, a aprovação do Opus Dei pelas autoridades da Igreja não é uma garantia de que o Opus Dei é uma organização santa?

Não. Para um católico, a aprovação do Opus Dei pelas autoridades da Igreja é uma garantia de que a Igreja reconhece o Opus Dei como sendo parte de seu todo orgânico. Isso implica que, de fato, se o Opus Dei atua como a Igreja entende que ele deve atuar então sua atuação é legítima. No entanto, de forma alguma a Igreja lhe concede carta branca para fazer o que bem entenda sem se preocupar com os meios que emprega; ainda que a organização alegue que seus fins sejam os mesmos que os da Igreja. Por essa mesma razão, a referida aprovação implica também que o Opus Dei, como toda instituição dentro da Igreja, é passível de cometer desvios e equívocos e, portanto, também de receber críticas e correções.

Entretanto, se o Opus Dei foi fundado por vontade expressa de Deus, utilizando como instrumento fidelíssimo seu santo fundador, como se pode dizer algo contra o Opus Dei sem que isso seja colocar-se contra Deus e a Igreja que o reconheceu?

Esse raciocínio não está correto.

A versão oficial do Opus Dei acerca de sua própria fundação não é algo tão indiscutível quanto quer fazer crer a organização. Todas as "provas" de tal intervenção sobrenatural foram destruídas pelo próprio Fundador, como ele mesmo já declarou publicamente em mais de uma ocasião. Tudo o que existe para fundamentar uma afirmação tão ousada como essa - de uma inspiração sobrenatural de Deus acerca da fundação do Opus Dei - é o testemunho do protagonista. A esse respeito, recomendamos a leitura de La Obra como Revelación (E.B.E.) e correlatos. As aprovações da Igreja a respeito ao Opus Dei não implicam em um reconhecimento da Igreja sobre esta suposta origem sobrenatural do Opus Dei. Como foi dito, tais aprovações se limitam - e sem submeter provas ao exame da Igreja não poderia ser diferente - a reconhecer o Opus Dei como parte legítima do corpo que é a Igreja, e a enquadrá-la institucionalmente nesse todo orgânico.

Um comparativo pode ajudar a ilustrar essa ideia. Suponha que Luis Paulo (nome fictício), católico praticante, acredita ter recebido uma missão de Deus através de um feito sobrenatural (por exemplo, através de uma visão). Para fixar as ideias, suponha que essa missão consiste em prestar atenção sacerdotal à vítimas do tsunami de janeiro de 2005. Luis Paulo, convicto de toda a sua alma de que possui essa missão dada pelo próprio Deus, ingressa no seminário e, após todos os procedimentos regulamentares, é ordenado sacerdote, o que era uma condição para o cumprimento de sua missão.

Pois bem, o fato de a Igreja aceitar ordenar e conferir autoridade sacerdotal a Luis Paulo de forma alguma quer dizer que a Igreja reconheça oficialmente a autenticidade da visão e a origem sobrenatural da sua missão, por mais que Luis Paulo diga isso às pessoas que o cercam.

Suponha agora que Pe. Luis Paulo, já sacerdote legitimamente ordenado, decide fundar uma instituição para atender, como sacerdote, aos fiéis vítimas do tsunami de 2005. Como fiel católico, a Igreja lhe reconhece o direito de fazê-lo, mas precisa obter da Igreja as aprovações correspondentes para que esta instituição possa atuar em nome da Igreja e para que ele, Pe. Luis Paulo, possa dedicar-se inteiramente a esse serviço.

O momento em que a Igreja reconhece e aprova a instituição fundada pelo Pe. Dom Luis Paulo, a qual tem como única finalidade prestar assistência sacerdotal às vítimas do tsunami, também sequer significa que a Igreja dê como certo que tal instituição é vontade expressa de Deus através da visão que teve Pe. Luis Paulo. O significado da referida aprovação é "somente" o de a Igreja reconhecer na instituição de Luis Paulo uma parte de si mesma realizando uma parte da sua missão.

Se o Pe. Luis Paulo diz aos seus que tudo isso provém de uma visão que ele teve em sua juventude, e que todo esse trabalho é diretamente querido por Deus, isso é ele quem diz; mas a Igreja com sua ordenação e aprovação de sua instituição não lhe confere autoridade nestas afirmações, ainda que no futuro decida canonizar "São Luis Paulo".

Recomendamos a leitura do capítulo Desde la fundación oficial del Opus Dei hasta el comienzo de la guerra española (1928-1936), de Santos y Pillos. El Opus Dei y sus paradojas [Joan Estruch i Gibert], para uma análise detalhada acerca das origens do Opus Dei.

Recomendamos também a leitura da Constituição Apostólica Ut Sit, documento pelo qual a Igreja reconhece oficialmente o Opus Dei e o enquadra como Prelazia Pessoal com estatutos próprios. Aí se vê que a Igreja não vai além da expressão "fundado por inspiração divina" (§1) para se referir às origens do Opus Dei. Cabe ressaltar que a expressão "inspiração divina" por si só não significa inequivocamente, em um documento deste tipo, o mesmo que entende o Opus Dei por "inspiração divina" ao referir-se às suas origens. Para o Opus Dei, essa "inspiração divina" significa um ato extraordinário e milagroso de iluminação do fundador por parte de Deus. Neste tipo de documento, essa expressão tem uma interpretação mais ampla, onde cabe entender por "inspiração divina" também a ação ordinária da graça na alma do fiel, sem nada de extraordinário ou incontestavelmente sobrenatural.

E o que dizer então da peculiar vocação sobrenatural que têm as pessoas do Opus Dei? Não seria isso prova de que o Opus Dei de fato é uma instituição criado por Deus? A Igreja não reconhece isso?

Assim como a expressão "inspiração divina", a palavra "vocação" também admite, no uso tradicional da Igreja, diversas interpretações.

No discurso do Opus Dei, o significado dado ao termo "vocação" tem a mais radical das interpretações: se compara a vocação dos membros do Opus Dei com aquela dos Doze Apóstolos e com a dos profetas do Antigo Testamento.

Em nenhum documento a Igreja reconhece que os membros do Opus Dei são objeto de uma "vocação divina" compreendida desta maneira. De forma que, mais uma vez, o termo é suscetível a manipulações e ambiguidades, nas quais o discurso do Opus Dei abunda.

Nós que conhecemos a organização por dentro somos testemunhas de que, sempre que se fala de "vocação ao Opus Dei" na acepção extrema que descrevemos acima, são frequentemente ouvidas expressões como "fazer alguém apitar", que transpiram uma concepção muito mais pragmática desta "vocação".

Para refletir sobre os possíveis significados do termo "vocação" na tradição da Igreja, e do significado da "vocação ao Opus Dei", recomendamos a leitura da seção "La existencia vocacional humana" do capítulo La Referencia a la Voluntad de Dios do livro El Ser Humano y su Mundo (Algunas Claves de La Antropología Cristiana) [Antonio Ruiz Retegui].

O Opuslibros se coloca como sendo uma página web católica?

Não. O Opuslibros se posiciona como sendo uma página não-confessional porque, por mais que todos os que estivemos dentro do Opus Dei éramos católicos, após a experiência de haver pertencido à prelazia nem todos continuam a crer na Igreja. No Opuslibros participam católicos (praticantes ou não), cristãos de outras denominações, praticantes de outras religiões não-cristãs, agnósticos, ateus etc. Cada um escreve de acordo com seu ponto de vista, e a única coisa que se é exigida é o respeito ao ponto de vista dos demais. O Opuslibros não é primariamente um foro para se discutir religião, mas sim um foro cujo foco é a atuação de uma organização religiosa, no caso o Opus Dei.

Mas então o Opuslibros adota uma postura radicalmente relativista...

Não. O Opuslibros simplesmente não é o foro adequado para a discussão de questões religiosas e menos ainda um foro adequado para evangelização ou proselitismo. O Opuslibros tem um foco de debate muito específico - as práticas do Opus Dei - para a discussão do qual cabem os mais diferentes pontos de vista e convicções religiosas.

Existem outros grupos da Igreja e também fora dela aos quais são feitas as mesmas críticas que vocês fazem ao Opus Dei. Discutir esses grupos e suas práticas é parte do objetivo do Opuslibros?

Não. O Opuslibros não tem a intenção de ampliar seu foco para uma discussão que englobe outras organizações, grupos religiosos ou seitas, por mais que suas práticas sejam similares às do Opus Dei. O material publicado no Opuslibros tem seu valor justamente por estar respaldado pela experiência direta de tantas pessoas a respeito de uma realidade bastante específica: as práticas do Opus Dei.

Quais são, segundo o entendimento dos Orelhas, as práticas condenáveis do Opus Dei a que se referem?

Como foi dito, o conjunto das pessoas que participam do Opuslibros não possui um ponto de vista comum a respeito da organização. Não há e nem haverá esforço algum por parte dos Orelhas para que haja um consenso absoluto.

Feita esta precisão, de fato é verdade que a maioria dos relatos do Opuslibros concorda em destacar como práticas condenáveis da organização, por exemplo:

  • Os métodos utilizados para o recrutamento de pessoas para a organização,

dentro da qual são chamados de "proselitismo";

  • O uso de tais métodos em menores de idade;
  • O engano de se apresentar àquele que considera pedir sua admissão na organização uma imagem de vida dentro dela que não corresponde à realidade;
  • A injustiça praticada contra as numerárias auxiliares, a quem esse engano é conduzido de forma ainda mais radical, pois inclusive seu trabalho é desempenhado no âmbito da organização, e dessa forma têm todo o seu contato com o mundo mediado pelo Opus Dei, segundo o parecer de suas diretoras.
    Nos países onde é possível burlar a lei, não recolhem suas contribuições previdenciárias nem dão à numerária auxiliar qualquer garantia de subsistência caso ela decida deixar a organização, o que caracteriza um regime de semiescravidão.
  • O duplo engano de se ocultar dos membros ainda não definitivamente incorporados à organização a condição pro tempore de seu contrato com o Opus Dei, dizendo-lhes que "a entrega é total e por toda a vida desde o primeiro momento" e que as etapas de incorporação progressiva previstas nos estatutos do Opus Dei são meras formalidades sem maior transcendência; pois o que vale é a entrega feita de uma vez por todas quando a pessoa solicitou a admissão.

Esse engano é duplo porque trata-se, além de um engano aos membros, de um engano à própria Igreja. Frente às autoridades eclesiásticas, quando questionam os diretores a respeito disso, mostram-lhes os estatutos e dizem que os membros se comprometem definitivamente com a organização somente após um longo período probatório, e somente após atingida a maioridade.

O que há de condenável nos métodos utilizados para o recrutamento de novos membros para a organização (chamados internamente de "proselitismo")?

O fato de que conjugam a instrumentalização da amizade, a pressão e a chantagem psicológica e moral.

Além disso, no caso de menores de idade naturalmente influenciáveis, afastam-no emocionalmente da família antes de aplicar-lhes esse tipo de pressão.

No que se engana aquele que considera pedir sua admissão na organização com a imagem que lhe apresentam dessa vida?

Àquele que considera pedir sua admissão é apresentada uma vida no Opus Dei como uma modalidade de vida cristã no meio do mundo, baseada na livre iniciativa e correspondente responsabilidade do postulante. Através de algumas idéias intencionalmente deixadas vagas, ocultam-lhe que na verdade sua vida passa a ser absolutamente regulada e controlada pela organização, não a fim de ajudar-lhe no seu aperfeiçoamento (que é o que se alega), mas sim a fim de que sirva às finalidades da organização.

Assim, aquele a quem foi apresentado um panorama de espontaneidade e liberdade em sua atuação será feito instrumento da organização, sendo sua atuação completamente dirigida, pautada e controlada pela própria, segundo as diretrizes determinadas pelos superiores hierárquicos.

Além de que mal restam ao membro tempo e energia para qualquer outra iniciativa fora das obrigações impostas por seus superiores, esse controle se estende a todos os aspectos de sua vida, ao contrário do que lhe foi mostrado quando considerava a possibilidade de pedir admissão: suas decisões profissionais, o tipo de namorado(a) ou cônjuge que lhe convém (para os supernumerários), os livros que pode ler, os filmes que pode assistir, a mobilidade social que lhe é permitida, o tipo de pessoas com quem pode se relacionar, etc. Tudo está submetido à decisão dos superiores, segundo uma dinâmica que não é mostrada honestamente ao candidato.

Com o candidato só se fala de "entrega total", dando-lhe a entender um significado para essa expressão muito diferente do que possui na realidade. Quando mais tarde, já admitido na organização, essa pessoa questiona a diferença entre o que lhe mostraram e a realidade, os superiores praticam a chantagem moral ao dizer-lhe que ele se comprometeu àquela "entrega total" por toda a vida, e que agora já não cabe questionar os limites dessa entrega sem colocar em risco a salvação de sua alma.

Como posso contribuir com o Opuslibros?

Se você crê que o Opus Dei tem aspectos que deve mudar ou se você foi afetado negativamente em sua relação com a instituição, a melhor contribuição que você pode fazer ao Opuslibros é publicar a sua experiência pessoal com o Opus Dei.

Se o Opus Dei é ou não uma ordem religiosa?

Esta questão põe-se da seguinte maneira: parece que o Opus Dei não é uma ordem religiosa.

  1. De fato, os estatutos da instituição definem que seus membros são leigos (solteiros ou casados) e sacerdotes seculares, fato corroborado por comunicações públicas de caráter não jurídico feitas pela instituição e dirigidas especificamente a este aspecto: “Opus Dei is a Catholic institution for lay people and diocesan priests, not a monastic order.” (cf. http://www.opusdei.org/art.php?w=32&p=7017, acesso em 7 de setembro de 2005). Não havendo previsão jurídica para a incorporação de membros religiosos, fato confirmado também por esclarecimentos não técnicos, segue que o Opus Dei não é uma ordem religiosa.
  2. Além disso, ordens monásticas destinam-se aos fiéis que buscam a santidade retirando-se do mundo. Ora, a finalidade declarada do Opus Dei é a de buscar a santidade no meio do mundo. Logo, o Opus Dei não pode ser enquadrado na mesma categoria das ordens religiosas.
  3. Mais ainda, os aspectos fundamentais que caracterizam uma ordem religiosa são os votos de pobreza, obediência e castidade. Ora, os estatutos do Opus Dei são claros em que nenhum de seus membros faz qualquer um desses votos, e a maioria de seus membros (supernumerários) recebe o Sacramento do Matrimônio. Portanto, o Opus Dei não é uma ordem religiosa.

Mas, em contrário, o que se observa é que os membros numerários levam uma vida essencialmente monástica.

Respondo a isto lembrando que a categoria formal de uma instituição reflete o que ela deveria ser segundo seus estatutos apresentados, não segundo uma auditoria in loco sobre o modo de vida efetivo de seus membros. Tal categorização, portanto, é de iure, mas não necessariamente de facto. Mais ainda, não é tarefa simples caracterizar adequadamente uma instituição cuja essência é, notoriamente, vaga e abstrata – o chamado “espírito da Obra” –, o que claramente deixa ampla margem a múltiplas interpretações dos estatutos escritos conforme a conveniência da instituição, completamente à parte (para não dizer à revelia) de qualquer avaliação que um auditor falível possa fazer. Não é de surpreender que no Opus Dei os membros ditos numerários levem uma vida essencialmente monástica, embora não assumida como tal pela instituição.

  1. A primeira objeção, portanto, refuta-se pela simples observação de que, embora não se faculte a admissão de membros religiosos, também não se exclui a possibilidade de um membro passar a viver efetivamente como um religioso, apesar de a instituição não se referir a esse membro como tal.
  2. A segunda objeção não leva em conta que muitas ordens reconhecidamente religiosas buscam a santidade no meio do mundo em vez de mosteiros reclusos – vide, por exemplo, as ordens mendicantes como a dos Frades Menores ou a dos Pregadores, ou ordens voltadas a determinadas atividades claramente seculares como a dos Salesianos de Dom Bosco ou a Congregação da Missão. Até mesmo ordens religiosas mais essencialmente contemplativas admitem membros que não deixam o mundo (como a Ordem Terceira do Carmo). Portanto, a busca da santidade no meio do mundo de per si não é critério para distinguir uma ordem religiosa de uma instituição puramente leiga.
  3. À terceira objeção procede-se notando que os três votos são vividos pelos membros após uma imposição verbal (e, por isso, não documentada), e a falha real ou aparente nesses aspectos é tida como violação do “espírito da Obra”, podendo levar ao desligamento. Portanto, os membros numerários e adscritos vivem tacitamente os três votos religiosos. Finalmente, a existência de supernumerários casados não altera a caracterização do Opus Dei como ordem religiosa, da mesma forma que a Ordem Terceira do Carmo não afeta a natureza de ordem religiosa do Carmelo.

Se o Opus Dei é ou não uma seita?

Esta questão põe-se da seguinte maneira: parece que o Opus Dei não é uma seita.

  1. Com efeito, o status jurídico oficial do Opus Dei, aprovado em 1982 pelo Santo Padre João Paulo II, é o de “prelazia pessoal”, uma configuração prevista pelos cânones da Igreja, e portanto encontra-se formalmente em comunhão com Roma. Em conseqüência, o Opus Dei não é uma seita.
  2. Além disso, o teólogo e cardeal de Viena, d. Christoph Schönborn, declara que “Nobody needs to have studied theology to recognize the basic contradiction in the slogan ‘sects within the Church.’ Their presumed existence in the Church is an indirect reproach of the Pope and Bishops who are responsible for investigating whether ecclesiastical groups are in agreement with the faith of the Church in teaching and practice. From a theological and ecclesiastical point of view, a group is considered a sect when it is not recognized by the relevant Church authority [...]. It is therefore wrong if communities which are approved by the Church are called sects (by institutions, individuals, or in media reports) [...]. Communities and movements approved by the Church should not be called sects, since their ecclesiastical approbation confirms their belonging to and grounding in the Church.” (cf. http://www.opusdei.org/art.php?w=32&p=9315, acesso em 7 de setembro de 2005). Portanto, o Opus Dei não pode ser uma seita.
  3. Mais ainda, vimos acima que o Opus Dei caracteriza-se, operacionalmente, como ordem religiosa. Ora, ordens religiosas são parte integrante da Igreja Católica. Logo, é impróprio caracterizar o Opus Dei como seita.

Mas, em contrário, o que se observa é que não só o vínculo do Opus Dei com Roma é anormalmente tênue (posto que apenas o Santo Padre é tido como “auditor” qualificado, não sendo facultado sequer aos bispos locais cumprir sua missão de zelar por seu rebanho e avaliar como são recrutados e tratados pelo Opus Dei os fiéis de suas respectivas dioceses), mas também as práticas adotadas e a postura da instituição caracterizam-na em realidade como entidade apartada da Santa Madre Igreja, isto é, como uma seita, e a seus membros, na genial definição de Marypt (“Variedade de Supranumerários/as”) como “praticantes que não são católicos”.

  1. A primeira objeção acima é tão imanentista quanto a feijoada rotulada de estrogonofe: não se pode avaliar o que uma instituição realmente é com base na descrição do que ela deveria ou poderia ser.
  2. Quanto à segunda objeção, observa-se que o Papa não tem condições materiais de efetuar pessoalmente uma auditoria na Obra, e aos bispos (individualmente falíveis) a Obra não oferece informações completas para realizarem um julgamento livre, portanto apontar essa falha na caracterização do Opus Dei de nenhum modo constitui “indirect reproach” do Papa e dos Bispos. Além disso, o “theological and ecclesiastical point of view” é um argumento meramente formal ad litteras, não ad rem, e leva em conta apenas o que as comunidades declaram ser ou que são em potência, não que são na realidade, em ato. Isto, aliás, é o que justifica o poder eclesial de dissolver comunidades cuja atuação real difira dos objetivos formais, como já aconteceu – e a extinção de tais comunidades por um Papa ou por um colegiado de Bispos de certa época de modo nenhum constitui “indirect reproach” do Papa e dos Bispos que os precederam.
  3. A qualificação operacional de uma entidade como ordem religiosa não se limita necessariamente a uma associação católica. Com efeito, vimos que tal qualificação refere-se ao aspecto ascético-monacal da vida de certos membros, e ascetas ou monges de outras religiões não são incomuns. Logo, aquela qualificação não obsta a que o Opus Dei seja reconhecido como seita.

Se um membro celibatário do Opus Dei pode propriamente declarar-se heterossexual?

Esclarecimento prévio: a questão seguinte formula-se a propósito de uma numerária que se define como heterossexual no Orkut (cf. http://www.orkut.com, acesso em 7 de setembro de 2005).

Esta questão põe-se da seguinte maneira: parece apropriado a um membro celibatário do Opus Dei (numerário ou adscrito) apresentar-se como heterossexual.

  1. O Opus Dei alegadamente segue os preceitos da Igreja Católica, que incluem a moral sexual oriunda dos princípios da lei natural. Ora, por natureza a reprodução humana exige a participação dos gametas masculino e feminino, o que categoriza o ser humano como heterossexual em virtude de lei natural. Portanto, parece apropriado a um membro do Opus Dei, mesmo numerário ou adscrito (e, portanto, celibatário), definir-se como heterossexual.
  2. A orientação sexual é uma atitude de fundo, podendo representar uma aprovação interior em vez de uma prática efetiva. Segue daí que um numerário ou adscrito do Opus Dei, mesmo assumindo o compromisso do celibato, possa com propriedade declarar-se heterossexual.

Mas, em contrário, a orientação sexual pessoal só faz sentido se puder, em princípio, ser posta em prática. O compromisso do celibato, porém, pressupõe o abster-se completamente das funções reprodutivas da espécie, e exclui por princípio a prática do ato sexual sob qualquer orientação. Não sendo possível, portanto, atribuir propriamente uma orientação sexual a um celibatário, tampouco é próprio declará-la.

  1. A primeira objeção é um simples equívoco, a saber, usar o termo “heterossexual” para designar as distinções naturais entre os sexos segundo a estrutura genética e a constituição fisiológica. Em realidade, esse termo emprega-se num contexto comportamental, designando a opção voluntária por realizar o ato sexual conforme aquela estrutura e constituição. O uso equívoco do termo tornaria, por exemplo, igualmente apropriado a um homossexual assumido declarar-se heterossexual, tomando por base o seu genoma e excluindo o seu comportamento. Portanto, a referida estrutura e constituição facultam a qualquer ser humano (em particular, a um numerário ou adscrito) declarar-se homem ou mulher, mas não heterossexual sem referência ao comportamento pessoal efetivo.
  2. A segunda objeção é infalseável, carecendo de sentido objetivo. Poder-se-ia igualmente declarar, a título meramente subjetivo, como “aprovação interior” desvinculada da realidade observável, que as rosas vermelhas tornam-se brancas quando ninguém está olhando, ou que os corvos cantam como canários quando ninguém está ouvindo. Em todos os casos, a própria formulação da teoria torna-a irrefutável, e como ensina Popper, “irrefutability is not a virtue of a theory (as people often think) but a vice.” (cf. “Science, Pseudo-Science, and Falsifiability”, Karl Popper, 1962).


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