A expressão centro e raiz na reforma da Opus Dei

From Opus Dei info

Por Xuxu, 7.12.2015


Álvaro del Portillo usa a expressão "centro e raiz" [1], para tentar relacionar Escrivá com o Concílio Vaticano II. Assim na conferência Sacerdotes para una nueva evangelización, de 1990, Portillo diz La Santa Misa es, en efecto, «el centro y la raíz de toda la vida del Presbítero» (Conc. Vaticano II, Decr. Presbyterorum Ordinis, n. 14.), como recordó el Concilio Vaticano II, con palabras que habían sido ya muchas veces repetidas por Mons. Escrivá de Balaguer (ver também [2]). Neste ponto, Portillo remete para a carta de 2-II-1945, para apoiar sua afirmação implícita de Escrivá precursor do Concílio. Mas é um apoio frágil, porque essa carta é um documento não publicado que parece ter sido escrito depois do Concílio, e não antes...

A fragilidade desse apoio sugere que a intenção de Portillo não se concentra em provar que Escrivá foi precursor do Concílio, mas numa pastoral de promoção do uso dessa expressão dentro da Opus Dei. E também sugere que a expressão "centro e raiz", assim como "unidade de vida", talvez não fosse muito repetida na Opus Dei antes do Concílio. De fato, nos escritos que Escrivá publicou, essas duas expressões só aparecem depois do Concílio [3, 4]. Mas por qual razão as expressões passariam a ser repetidas, se antes não eram? Isso relaciona-se com Portillo ter conseguido aprovar no Concílio o n. 14 de Presbyterorum Ordinis, onde as duas expressões ocorrem [5], e também com a necessidade da Opus Dei no posconcílio adaptar a sua espiritualidade, tornando-a menos especializada [6]. Para essa adaptação, a Opus Dei aparentemente tomou como modelo o n. 14 de Presbyterorum Ordinis [7]. Porque para quem perguntar "o que fazer no confuso mundo de hoje?", esse texto responde com a eucaristia, e por isso ele compõe uma espécie de protoespiritualidade secular.

A protoespiritualidade secular eucarística de Presbyterorum Ordinis 14 não foi uma novidade. Porque a sintonia eucarística sempre existiu na vida cristã secular. Afinal, a eucaristia é Jesus presente aqui neste mundo. Na ceia, Jesus pede que os discípulos sejam um, e que não sejam tirados do mundo (Jo 17,15.21) [8]. É tema recorrente em Cirilo de Alexandria, autor que Escrivá citou depois do Concílio (cf. Es Cristo que Pasa n. 24 e 134), que a eucaristia regenera também o corpo terreno [9]. E várias espiritualidades mais próximas do mundo ou da vida ativa possuem sintonia com a eucaristia. Por exemplo os franciscanos, que dizem que seu claustro é o mundo [10], e que têm Pascal Bailão, padroeiro das associações eucarísticas. Também os jesuítas com a sua contemplação na ação, e o seu brasão com o anagrama IHS no centro do sol ver em wikimedia. Também a adoração noturna de Hermann Cohen (nas casas da Opus Dei a prática da adoração noturna chama-se velada). E há ainda os congressos eucarísticos de Emília Tamisier e Julião Eymard.

O uso da expressão "centro e raiz" para a eucaristia no contexto secular vem da espiritualidade francesa. Bérulle, fundador de uma congregação secular, nos seus discursos de 1623 escreveu que Jesus é centro, princípio e raiz [11]. Pouco antes disso, em 1609, Francisco de Sales, outro protagonista da espiritualidade secular, escreveu na Filotéia que a missa é alma e centro [11]. A partir dessa época, a expressão "centro e raiz" pode ser encontrada em muitos livros [11, 12]. Também se pode ter uma idéia da difusão alcançada através de polêmicas que ela protagonizou, ao ser aplicada ao papa, ou a Igreja de Roma. Assim o debate epistolar ocorrido a partir de 1611 entre o cardeal du Perron e o humanista protestante Isaac Casaubon, em torno da profissão de fé do rei James I da Inglaterra. Du Perron escreveu que a Igreja de Roma é o centro e a raiz da unidade episcopal, expressão que Bossuet copiaria posteriormente [11]. Por isso tudo, não surpreende que no início do século XX o francês Tanquerey [11] tivesse expressões parecidas com algumas que depois apareceram em Pio XII [5], no Concílio [5, 13], ou em Escrivá [4].

Assim é natural que a Opus Dei se reorientasse da santificação do trabalho [14, 15] para a eucaristia na sua reforma posconciliar, que envolveu a troca de instituto secular para prelazia pessoal em 1982, e a substituição de livros internos de meditação (ocorrida entre 1987 e 1991). Ao invés de falar em espiritualidade eucarística, a Opus Dei prefere a expressão "unidade de vida" [15], que é apenas outro modo de dizer o mesmo, porque a eucaristia é o sacramento da unidade. Isso também confirma Cipriani, cardeal da Opus Dei [16]. A Opus Dei procura defender que seu carisma foi preservado, assim este vídeo onde Portillo tenta explicar a santificação do trabalho, sob o ponto de vista reformado. Entretanto a unidade, ou o uno, tem uma generalidade maior do que o trabalho, e a própria Opus Dei manifesta a intenção de despir-se de delimitações [17], até porque, para a Opus Dei, a reforma proporcionou uma existência teológica, uma vez que a teologia do trabalho é um tema imaturo. Segundo Illanes, o trabalho é um tema perdido pela teologia espiritual (ler em unav.es essa afirmação, na resenha da edição de 1966 do livro La Santificación del Trabajo, de Illanes).

Na próxima vez, eu voltarei para a história da expressão "unidade de vida".


Notas e Referências

[1] A expressão "centro e raiz" é neoplatônica e reflete um princípio sapiencial muito antigo, que reúne dois termos que de certo modo se opõem, mas ao mesmo tempo se equilibram, como por exemplo "direito e justiça" ou "alfa e ômega". No século V, Proclo no seu comentário ao diálogo Parmênides de Platão, falou de coisas que têm o seu centro e sua raiz no Primeiro, isto é, no deus filosófico [11]. E antes de Proclo, Plotino no século III já tinha explicado que aquilo que no corpo é o centro, na alma é a fonte [5]. Desse modo, pode-se entender que, para Plotino, a expressão "centro e fonte", que é semelhante a "centro e raiz", contrasta e equilibra matéria e espírito. Esse texto de Plotino na tradução de S. Mackenna e B. S. Page é Here, however, we must distinguish between a centre in reference to the two different natures, body and Soul. In body, centre is a point of place; in Soul it is a source, the source of some other nature. (2,II,2, ler em classics.mit.edu em inglês). Ler em latim ou grego.

[2] Outros autores da Opus Dei que dizem mais ou menos o mesmo que esta conferência de Portillo são Ibañez em 1999 É fácil compreender a alegria de São Josemaria ao ler no Decreto Presbyterorum Ordinis algo que vinha pregando há muitos anos ler em josemariaescriva.info e Le Tourneau no livro Opus Dei de 1984 La Misa se convierte así en "el centro y la raíz de la vida interior", expresión que el Concilio Vaticano II hará suya ler em iniciativas-opus-dei.

[3] A expressão "unidade de vida" ocorre no decreto Primum Inter de aprovação da Opus Dei, e "centro e raiz" ocorre nas constituições do instituto secular Opus Dei, n. 206 ler em Opuslibros. Esses dois documentos são de 1950, mas eram reservados e inacessíveis aos sócios. Apenas em 1989 a Primum Inter foi publicada, em latim, no livro Itinerário Jurídico do Opus Dei. Ler versão online no site da Opus Dei.

[4] Noutra vez eu percorri os usos da expressão "unidade de vida" nos escritos que Escrivá publicou em vida. Durante sua vida, Escrivá publicou dois textos onde ocorre a expressão "centro e raiz". Um é a homilia A Eucaristia, mistério de fé e de amor (É Cristo que passa n. 87), e o outro é a homilia Cristo Presente nos cristãos (É Cristo que passa n. 102). A primeira é originalmente de 1960. Aranda na edição crítica de Es Cristo que Pasa (Rialp 2013. ISBN 9788432143175) explica que existem três versões da pregação original, que foi uma meditação de um retiro (p. 486). Aranda não apresenta o texto dessas versões, ele apenas diz que a versão final, preparada para publicação em 1972, foi trabajada detenidamente por Escrivá, e que em relação a pregação original, ela é más extensa y de mayor riqueza literaria y teológica (p. 487). Aranda explica que a segunda homilia foi redigida em 1967 para a revista La Table Ronde, e teve sua primeira publicação em 1968 (p. 553).

[5] Os padres conciliares aprovaram a Presbyterorum Ordinis em 1965, depois de terem aprovado outros textos que trazem expressões parecidas com "centro e raiz" [13]. Por exemplo a Lumen Gentium, aprovada em 1964, escreve no n. 11 que o sacrifício eucarístico é "fonte e ápice" da vida cristã, e remete para a Mediator Dei de Pio XII, que escreveu que o culto eucarístico é centro e fonte da piedade cristã (n. 4), e que a eucaristia é súmula e centro da religião cristã (n. 59). Sobre as palavras centro e fonte, Bernardo Monsegú explica que así como en el misterio de la encarnación del Verbo todo gira y se reconcentra alrededor del sacrificio de la cruz, así en el misterio del Cuerpo místico todo se centra y culmina alrededor del altar, e também que En los demás sacramentos fluye a nosotros una partícula o gota de la gracia. En la eucaristía es la misma fuente de la gracia la que se nos entrega (Comentarios a la Constitución sobre La Iglesia, BAC 1966, p. 304). Já foram mais populares, inclusive nos catecismos, gravuras que representam a expressão "centro e fonte", são desenhos que mostram, no centro, Jesus crucificado, ou um cordeiro, com os sacramentos brotando como fontes, ver exemplo no site sspxridgefield.com.

[6] Boaventura Kloppenburg, Leigos em Apostolado, Presença 1985. Dois fenômenos contrastantes se apresentam no campo leigo depois do Concílio Vaticano II: por um lado se constata uma crescente e mais profunda valorização da vocação do leigo na Igreja; e por outro lado numerosos movimentos leigos organizados, como os da Ação Católica, que tiveram seu auge nas décadas de 40 e 50, em particular os "especializados", se debilitaram ou desapareceram precisamente depois do Concílio. (p. 37)

[7] Para entender esse passo, deve-se lembrar que Portillo foi secretário da comissão que elaborou a Presbyterorum Ordinis, e que os autores da Opus Dei sobrevalorizam o papel de Portillo nesses trabalhos, a ponto de Herranz sugerir que a conclusão dos trabalhos foi um milagre de Portillo (The secretary general of the Council was truly and happily surprised, and almost exclaimed: “a miracle.” ler em Romana). Assim, internamente na Opus Dei, o fato do decreto ter sido aprovado pelos padres conciliares seria interpretável informalmente como uma espécie de confirmação desse modelo para a Opus Dei.

[8] O dominicano Congar, um dos redatores da Presbyterorum Ordinis, já no fim da vida declarou que foi preparando a minha ordenação presbiteral, em 1929, que, estudando o Evangelho de João, eu me detive no capítulo 17 e, a partir disso, Deus sabe como eu o li, até mesmo como o orei. (Diálogos de Outono, Loyola 1990, p. 72)

[9] Solano, Textos Eucarísticos Primitivos, v. 2, BAC 1954. É de Cirilo de Alexandria (século V) o texto sacrificio por el cual se destruye la muerte, y la misma corrupción y la carne terrena se revisten de incorrupción (p. 373 Comentário a Malaquinas t. 1 c. 12, Ler em archive.org). Não é difícil encontrar, neste mesmo volume, vários outros textos de Cirilo de Alexandria semelhantes, por exemplo Convenía, pues, que no solamente el alma fuese regenerada a una nueva vida por el Espíritu Santo, sino que también este cuerpo grosero y terreno fuese santificado (p. 398, Comentário a João l. 4 c. 2).

[10] Sacrum Commercium, Alianza de San Francisco con dama Pobreza, século XIII. Traducción Salvador Biain OFM. [La Pobreza] - tras haber dormido sobria y muy plácidamente - se levantó con toda presteza y suplicó se le enseñara el claustro. La llevaron a una colina y le mostraron toda la superficie de la tierra que podían divisar, diciendo: «Este es nuestro claustro, señora». (n. 63). Ler em paxetbonum.net. Compare com o que diz Portillo no livro Entrevista [el Fundador] afirmaba que, para un cristiano corriente, la celda es la calle ler em todosloslibros.info.

[11] Alguns usos da expressão "centro e raiz", literais ou aproximados.

  • Livro bíblico dos Provérbios, por volta de 700 anos antes de Cristo Guarda teu coração acima de tudo, porque dele provém a vida. (Pr 4,23). Neste caso, o coração substitui o centro, e a expressão provém a vida substitui a raiz.
  • Proclo, Commentaire sur le Parménide, tradução de Chaignet, 1901 (original é do século V). toutes les choses, qui sont après le Premier, désirent le Premier; et comment les choses qui ont leur centre et leur racine dans le Premier, pourraient-elles ne pas désirer leur propre cause? (v. 2 p. 334, ler em archive.org está no final da página, a busca não funciona). Ler em grego.
  • San Francisco de Sales, Obras Selectas, BAC 1953 (original é de 1609). Aun no te he dicho nada del sol de los ejercicios espirituales, que es el sacrosanto y soberano Sacrificio de la Misa, centro de la Religión cristiana, corazón de la devoción, alma de la piedad (p. 105, parte 2 capítulo 14). As edições francesas que examinei trazem apenas centro e alma, sem o corazón, por exemplo a de 1775 car il est véritablement l'âme de la piété, & le centre de la religion chrétienne ler em Google Books.
  • Bérulle, Discours de l'estat et les grandeurs de Jésus, 1865 (original é de 1623) Par ce Mystère, IESVS est pour iamais le Centre, le Principe, et la racine de l'Vnité d'esprit, de grace et d'amour, à laquelle il nous apelle. Ler em Google Books. Os discursos de Bérulle foram reeditados recentemente na Espanha. Discursos y elevaciones, Pierre de Bérulle, BAC 2003, ISBN 9788479146382.
  • Kaspar Schott SJ, Magia Universalis Naturae Et Artis, 1677. Ao descrever a anatomia dos olhos, escreve aut rapalatior similiter a vertice per centrum atque radicem seu pedunculum ler em Google Books. Ler na tradução alemã Magia Optica. Ver abaixo o caso biológico em Sbaragli.
  • Bossuet, Défense de l'Église gallicane, 1682. Copiando uma carta de 1611 do cardeal du Perron, ele escreve l'église romaine est le centre, et la racine de l'unité épiscopale, et de la communion ecclésiastique. Ler em Google Books.
  • Eusebio Garcia de los Rios, Assumptos sagrados panegyricos, 1703. de todas las virtudes, porque todas se contienen en amor, como en su raiz y centro ler em Google Books.
  • Sbaragli, Oculorum et mentis vigiliae, 1704. motum ex radice, & medulla in plantam ler em Google Books. Exemplos como este, ou Kaspar Schott acima, dão leituras biológicas da expressão "centro e raiz". Aqui a palavra "centro" (que é termo técnico da geometria) aparece como "medula". Ver também a árvore da vida [12].
  • Sgariglia, Memorie Presentate Da Più Cardinali, Arcivescovi E Vescovi A Sua Altezza Reale Il Duca D'Orleans Reggente Di Francia, 1790. colla Sede Apostolica centro, e radice della Cattolica Chiesa ler em Google Books
  • John Owen, An Exposition of the Epistle to the Hebrews, 1790. who sees not the root and center of them in Jesus Christ ler em Google Books.
  • Macario Padua Melato, Observaciones pacíficas sobre la potestad eclesiástica, 1822. la infinita superioridad con que deben aplicarse á Jesucristo las metáforas de fundamento raíz y centro de la Iglesia ler em Google Books.
  • cardeal Franzelin, Tractatus de divina traditione et Scriptura, 1870. Ecclesia Romana, quae unitatis radix est ac centrum ler em Google Books
  • Adolphe Tanquerey, Les Dogmes Générateurs de la Pieté (quarta edição), 1931. Sobre a incorporação no corpo de Cristo, ele escreve que il en est un [dogme] qui est à la fois le centre et le résumé de tous les autres (p. v). Sobre a missa, escreve que Le saint sacrifice de la messe est donc bien l'acte par excellence du culte chrétien, le centre de notre religion, la source la plus féconde de notre vie surnaturelle (p. 228).

[12] não conheço usos da expressão "centro e raiz" durante a idade média, mas os medievais usaram a figura da árvore da vida que, assim como a fórmula "centro e fonte" também é associada com a cruz de Cristo (cf. [5]), como se pode ver em diversas iluminuras ou mosaicos medievais, ou no tratado da Árvore da Vida de são Boaventura. O papel de centro e de fonte da árvore da vida é indicado por Isabel Uría Maqua, que também traz gravuras El Árbol y su significación en las visiones medievales del otro mundo, Revista de literatura medieval, n. 1 p. 103s, 1989, ISSN 1130-3611.

[13] Algumas expressões semelhantes a "centro e raiz", nos documentos do Concílio Vaticano II, em contextos diversos, e na ordem cronológica da aprovação.

  • Sacrosanctum Concilium, aprovada em 22-11-1963. Ofício divino, fonte de piedade e alimento da oração pessoal, n. 90. O domingo é o fundamento e o núcleo do ano litúrgico, n. 106.
  • Lumen Gentium, aprovada em 19-11-1964. Sacrifício eucarístico, fonte e ápice de toda a vida cristã, n. 11. Cristo é a fonte e origem de toda a santidade, n. 47. Do Cristo, como de fonte e cabeça, promanam toda a graça e a vida, n. 50.
  • Unitatis Redintegratio, aprovada em 20-11-1964. A celebração eucarística, fonte da vida da Igreja e penhor da glória futura, n. 15. Cristo fonte e centro da comunhão eclesiástica, n. 20.
  • Christus Dominus, aprovada em 28-10-1965. Sacrifício eucarístico, centro e cume da vida da comunidade cristã, n. 30.
  • Perfectae Caritatis, aprovada em 28-10-1965. Institutos de vida contemplativa são ornamento da Igreja e fontes das graças celestes, n. 7.
  • Apostolicam Actuositatem, promulgada em 18-11-1965. Cristo fonte e origem de todo o apostolado da Igreja, n. 4
  • Ad Gentes, aprovada em 30-11-1965. Eucaristia centro e o cimo da celebração dos sacramentos, n. 9. As igrejas jovens, enraizadas em Cristo e construídas sobre o fundamento dos Apóstolos, n. 22 Bispo, chefe e centro da unidade no apostolado diocesano, n. 30.
  • Presbyterorum Ordinis, aprovada em 2-12-1965. Eucaristia fonte e ápice de toda a evangelização, n. 5. Raiz e centro da comunidade é a celebração da santíssima Eucaristia, n. 6. Cristo, princípio e fonte da unidade da vida do presbítero, n. 14. Sacrifício eucarístico, centro e raiz de toda a vida do presbítero, n. 14.
  • Gaudium et Spes, aprovada em 6-12-1965. O centro e o fim de toda a história humana se encontram em Cristo, n. 10. Tudo quanto existe sobre a terra é ordenado ao homem, como seu centro e ponto culminante, n. 12. A família é mãe e alimentadora da educação, n. 61. O homem é centro e fim de toda a vida económico-social, n. 63.

[14] Gervásio tem um artigo de 2007 sobre a Decadencia de la santificación del trabajo ordinario na Opus Dei, que explica melhor do que eu poderia explicar.

[15] Na entrevista ao Le Figaro em 1966, Escrivá destacava que o eixo da espiritualidade específica do Opus Dei é a santificação do trabalho (Conversaciones n. 34). Portillo em 1969 escreveu, sobre a santificação do trabalho, que Este fim, precisamente, foi considerado como gonzo ou eixo da espiritualidade específica do Opus Dei, um texto de duplo sentido, por trazer o verbo "foi" no passado (Fiéis e Leigos na Igreja, Aster 1971, p. 171, eu não consegui examinar a edição espanhola de 1969). Essa transição também se lê no livro Entrevista de 1992 onde Portillo diz que El arma del Opus Dei no es el trabajo, e que la espiritualidad del Opus Dei tiende a realizar la unidad de vida, es decir, la unión de acción y contemplación, a través de la práctica de todas las virtudes, humanas y sobrenaturales (ler em todosloslibros.info).

[16] Homilía del Cardenal Juan Luis Cipriani Thorne en la misa por Mons. Álvaro del Portillo, Domingo, 28 de marzo de 2007. En el último Sínodo se hablaba con frecuencia de la expresión “la coherencia eucarística”. Yo recordaba a don Álvaro del Portillo y a San Josemaría; y al oír esta nueva expresión “coherencia eucarística” que no es otra cosa que la unidad de vida (ler em arzobispadodelima.org).

[17] Assim Ignacio de Celaya diz no recente Diccionario de San Josemaría (de 2013, mas já com novas edições) que bajo la expresión “unidad de vida”, podría tratarse de toda la existencia cristiana ler em josemariaescriva.info. Ou ainda Derville, que no artigo Une connaissance d’amour de 2007 atribui a Escrivá atemporalmente uma generalidade que a Opus Dei só buscou depois do Concílio, ao dizer que la doctrine d’Escriva ne se limite pas à un champ déterminé de la vie chrétienne ler em josemariaescriva.info



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